“A gente [professores] vive em um sistema de falências, e o recreio é o menor dos nossos problemas: é direito da criança ter professor, antes mesmo do recreio”
“É uma luta de garantias por direito, eu entendo isso: é o direito da criança ter recreio, nós não discordamos disso. Mas também é direito do professor dar uma aula de qualidade, que muitas vezes é sonegada pelo próprio Estado: quando faz você acumular funções; quando faz você ter que trabalhar em vários lugares diferentes, para poder fazer um salário de sobrevivência; quando faz você ter que dobrar de função sem ter nada registrado, mas dizendo que isso é função sua, porque a escola tem que garantir a lei… Só que não te dá condições de garantir a lei, então você lida com um trabalho sobrehumano.”
“Percebe que a gente tá utilizando o recreio para resolver outros problemas? O recreio virou moeda de troca.”
“A nossa profissão foi tão esvaziada de valor e sentido que às vezes a gente tem que usar esses mecanismos de combinação como estratégia de educação”
“Esse direito já está garantido, só que também é preciso cumprir os combinados. Eles já começam com recreio. Eles podem perder o recreio ao longo do dia a depender deste comportamento. Não é que o recreio vai ser suprimido. A questão é que eles têm esse espaço, que normalmente é garantido para eles; talvez não da forma que eles imaginam que deveria ser, por questões de logística, por questões de espaço. Mas tem esse espaço garantido para eles. Às vezes o espaço é retirado, mas, quando isso acontece, tem uma voz muito maior do que o espaço totalmente garantido diariamente.”